O Deus de meus pais se tornou meu Deus também

Por Daniela Almeida

Se você tem algum convívio com igreja evangélica é provável que entenda se eu disser que no dia 05/05/1985 eu levantei minha mão e aceitei Jesus. Hoje, porém, eu diria que minha história de conversão não começou ali. Nessa data eu tinha 12 anos. Já se passaram 31 anos deste então. Por mais que alguém possa dizer que aquele dia foi O Dia, hoje eu sei que minha história de conversão começou antes disso e não se limitou a uma data pontual.

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Daniela Almeida

Fui uma criança raivosa e uma adolescente solitária, mas a palavra estranha também serve para definir quem eu fui. Dizer isso é importante porque eram exatamente estas características que me afastavam das pessoas e vice-versa. Elas evidenciavam o quanto eu era alguém extremamente carente de Deus.

Nos momentos em que eu estava sozinha eu dizia para Deus o quanto eu detestava a minha vida e como eu queria agradá-lO. Hoje eu sei que Ele ouvia, mas naquela época Ele definitivamente não era o meu Deus, mas o Deus dos meus pais e o Deus que era cultuado na igreja que eu frequentava.

Acredito que foi em dezembro daquele mesmo ano que eu cumpri uma das exigências para ser batizada: dei a minha profissão pública de fé. Não me recordo de ter participado da escola de preparação para o batismo, porque não me lembro de absolutamente nada a este respeito. Ainda assim, eu lembro que em um certo domingo eu sentei no primeiro banco de madeira que ficava alinhado com o púlpito e bem à minha frente havia uma grande mesa onde estavam sentados o pastor e outros adultos da igreja, de onde eles me fizeram algumas perguntas para as quais eu deveria ter a resposta. Logo, eles perguntaram se alguém que estava nos assistindo tinha alguma pergunta para me fazer. Quando eu pensei que aquele momento de tanta tensão havia acabado, alguém me fez a única pergunta da qual eu me lembro: Daniela, se seu pai, sua mãe, seus irmãos ou as pessoas que você conhece desistirem de seguir a Jesus, você continuará seguindo Ele?

Decididamente, aquela foi uma das perguntas mais importantes da minha vida. Ela não estava no script, não fazia parte do roteiro ensinado. Para respondê-la eu tive que pensar. Eu sabia que a resposta que todos esperavam era um sim, mas aquela pergunta acordou algo dentro de mim e eu não poderia dizer sim apenas por ser a resposta certa. Não, aquilo era sério demais, se tratava de não desistir ainda que eu tivesse que seguir sozinha. Eu estava pronta para aquela decisão? Eu não sabia. Enquanto eles ainda aguardavam a minha resposta eu examinei o meu coração e com uma profunda convicção que invadiu o meu coração eu disse SIM!

Com isso, talvez você diga: “então esse foi O dia!

Embora essa pareça ser uma conclusão lógica, o fato é que essa pergunta ecoa em meu coração até hoje. Creio que seja importante que eu diga que meu coração ainda enfrenta algumas grandes lutas. Algumas que estão comigo desde aquela época. Pois é, talvez isso cause surpresa ou evoque as perguntas que não se deixam calar: “Então você não resolveu seus problemas?!” “E a raiva?!” “E a solidão?!” “Não desapareceram?!” “Nada mudou?!”

Calma. Claro que mudou! Eu descobri que a raiva não era simplesmente raiva. Na verdade, o nome correto para o que eu sentia era ira e ela era gerada pela falta de longanimidade, passível de ser produzida unicamente pelo Espírito de Deus. Quanto à solidão, essa, é fruto da pretensão de ser autossuficiente; sei disso por causa de hoje saber quem é meu Deus e buscar enxergar com os olhos dEle.

Sem dúvida houve mudanças, mas obviamente que meus desafios de mudança pessoal ainda continuam. Se você não entende isso, deixe-me dizer que enxergar exatamente como é o meu coração me traz pavor e isso ainda me assusta. Por outro lado, é impossível eu negar meu sentimento de me sentir amada, com uma esperança de vida que, todo dia, me dá forças para continuar. Digo sim todos os dias ao meu Deus. Minha vida não se limita às minhas dores, à minha capacidade de ser melhor, tampouco aos meus medos. Em Cristo eu me sinto amada por inteira e é tanto amor que eu fico constrangida. Se você acredita que já se sentiu amada dessa forma por alguém, eu lhe garanto, o amor de Deus é ainda mais intenso.

Os conflitos que eu tenho não desapareceram. Contudo, embora eu lute contra muitos dos velhos problemas, a forma de eu enxergar esses problemas mudou, logo, a minha forma de tentar resolvê-los também. Consequentemente, os resultados são outros. Eu não estou mais sozinha resolvendo minhas angústias, nem dependo de mim mesma para resolvê-las.

Há uma canção que diz: “Tem maior anseio de ser livre, quem sofreu na pele a escravidão”. Eu vivia uma vida de escravidão pelo medo de não perdoar ou não ser perdoada e viver solitária; tinha medo de ser punida pelos meus erros, de não agradar a Deus. Quando eu me despi da minha própria força para resolver minha vida eu encontrei a libertação nEle. Eu me senti tão grata que foi impossível não me dispor ser Sua serva.

 

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